dezembro é o mês das compras. parece haver uma necessidade de presentear e ser presenteado. todos os lugares de vendas ficam abarrotados. em são paulo, no rio de janeiro, em natal, em teresina, em chicago, em paris, em londres, etc, todos querem comprar algo para dar ou para ficar.
interessante notar a dinâmica do ato de dar um presente. no processo da compra, além de pensar, obviamente, nos gostos, sonhos e personalidade do presenteado, o presenteador quer deixar também a sua marca, quer dizer, não apenas dar algo, mas algo que faça aquela pessoa se remeter a ele.
assim que, o processo de comprar vai além do conhecimento que temos (ou achamos que temo) de alguém e chega ao conhecimento que temos (ou achamos que temos) de nós mesmos. o presente passa a ser mais do que representação de sentimentos para ser representação de indivíduos. o presente passa a ser um pouco a pessoa que dá e um pouco a pessoa que recebe.
lipovetsky, em 'a felicidade paradoxal' diz que vivemos em uma época em que "as tradições, a religião, a política são menos produtoras de identidade central" e o consumo passa a exercer um papel fundamental no processo de criar identidade individual. por isso comprar é tão importante. por isso cada presente carrega um pouco do que se é.
objetos resumindo pessoas.
no balcão das lojas, estão mais do que roupas, eletrônicos, brinquedos, etc. a camisa não é apenas legal. ela é alternativa. o filme em dvd não apenas emociona, ele traduz uma imagem cult. aquele celular mostra um lado empreendedor. as coisas passam a carregar valores. as coisas passam a carregar imagens. você não compra mais produtos, você compra você.
as lojas deixam de ser mercados de produtos e tranformam-se em mercados de gente.
felizmente, "quem eu sou" é mais profundo do que o que eu tenho. responder demora mais do que uma tarde de compras.
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