quarta-feira, 19 de novembro de 2008

pressão e alívio

algumas situações causam tremenda pressão e profundo alívio. nem sempre ao mesmo tempo. as vezes o alívio vem antes. as vezes é a pressão. o vestibular é um exemplo (desde que se passe para a faculdade).
uma grande pressão e que nunca se transforma em alívio é a necessidade de amar e ser amado. a segunda parte é causa de frustração e ansiedade em todos. queremos tanto ser amados que, em certos momentos, deixamos de ser quem somos e agimos passionalmente e irracionalmente. essa necessidade de ser amado se renova a cada dia e a pressão aumenta conforme nos sentimos amados. nunca há alívio, pois sempre há uma nova situação em que não podemos desapontar alguém que nos ama ou que gostaríamos que nos amasse. a realidade é que o ser amado está fora de nós e dependente do outro.
amar é, em diversas instâncias, mais fácil. depende apenas de nós mesmos e de nossas decisões, racionais e irracionais. entretanto, relegamos o amar a segundo plano. tudo porque é difícil aceitar os outros como são e perdoar. o sentimento que só depende de nós fica a mercê do que é externo a nós. impossível amar alguém que traiu. mesmo que perdoe, não aceito.
enfim, o que é preciso para equilibrar essas duas necessidades universais? O Messias disse: "mais bem aventurado é dar do que receber". Se em vez de corrermos atrás de aceitação, carinho e amor nos preocupássemos em oferecer aceitação, carinho e amor, não haveria pressão, somente alívio. O primeiro passo óbvio é transformar-se. o segundo é transformar outros.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

...

você eu nós
quase uma década
toda uma vida
você eu nós
comendo risoto
tomando açaí
ouvindo as mesmas músicas mil vezes
conversando sobre tudo e nada de madrugada
você eu nós
simples
completo
o charme a risada
a respiração o sono de manhã
partes do que sou
partes do que somos
você eu nós

...

renovar renovar renovar renovar renovar renovar renovar renovar
renovar renovar renovar renovar inovar renovar renovar renovar
renovar renovar renovar renovar repetir renovar renovar renovar
renovar renovar renovar renovar ignorar renovar renovar renovar
"nada de novo debaixo do céu"

crise real

depois do frisson da mídia na cobertura das eleições americanas, todos os olhos se voltam para a enorme crise financeira americana que já fez vítimas em todos os continentes. a cobertura e as análises circulam há bastante tempo, mas agora a atenção se volta unicamente pra ela.
quem não entende de mercado financeiro e curte uma certa ignorância sobre o assunto (como aquele que escreve estas linhas) precisou ler um pouco mais. entender o assunto é outra história... entretanto, algumas considerações são pertinentes e não possuem resposta. por exemplo: é certamente inconstitucional a ajuda monetária dada pelo governo (qualquer um) a bancos privados. o dinheiro público injetado, sem parcimônia, no setor privado soa, no mínimo, um completo absurdo e até sarcástico.
a lei máxima do capitalismo é o livre comércio, sem a interferência do estado. agora ele não é mais tão livre assim. uma das medidas aprovados nos eua é que o diretor do tesouro nacional passa a atuar como regulador das transações bancárias. controle não rima com liberdade. a terra da oportunidade e da liberdade até que tem estado bem monitorada. depois do 11/9 o ato patriótico, revogado recentemente, dava plenos poderes de controle ao governo em nome da segurança nacional. agora, algo parecido é feito no setor bancário.
a maior crise que estamos/ vamos passar não é financeira, política ou social, apesar de envolver tudo isso. a maior crise é no âmbito da perda de liberdade. A cada situação limite que o governo americano enfrenta, mais e mais liberdades são retiradas, mais e mais controle é dado ao estado. tudo isso em nome da sua e da minha segurança, mas sem sermos consultados.
não se trata de capitalismo x socialismo. trata-se de ser e permanecer livre. trata-se de manter individualidade e diferanças. se hoje há controle do seu dinheiro, nada impede que amanhã controlem o que você faz, diz e pensa. tudo em nome da 'segurança'.
o "mundo livre" é uma ilusão...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

mudar o mundo

o sentimento em torno da eleição de obama contagiou o mundo. a mesma esperança sentida nos eua se espalhou por todos os continentes. "nós podemos mudar o mundo? yes, we can!" discursos maravilhosos foram proferidos, inclusive pelo candidato derrotado.
em certo sentido, a relação com a primeira eleição de lula (2002) não seria equivocada. em ambos os casos, cidadãos foram tomados de sentimentos nobres, muito se escreveu sobre as origens dos ganhadores, sobre as enormes possibilidades de mudança para melhor, etc.
muita emoção e comoção... muita esperança... pouca realidade...
ultimamente vários líderes ao redor do mundo são recebidos como novos messias. obama, talvez, seja o mais novo messias e o com maior alcance, tendo em vista as reações no mundo todo, inclusive na europa e oriente médio, lugares aonde o antiamericanismo era alto.
dois fatores precisam ser considerados. primeiro, ninguém consegue mudar nada sozinho. nem a si mesmo, nem a outros. por vontade única, nem o casamento pode ser salvo... para mudar qualquer coisa e, principalmente, o mundo, é preciso mais do que uma pessoa. em segundo lugar, mudar o mundo é subjetivo para todos, pois para o dono da megaconstrutora multinacional seria uma coisa e para sua esposa ou empregado seria outra. além disso, muitos podem concordar em grandes questões subjetivas, como "acabar com a fome", "diminuir a desigualdade social/ econômica", mas o como isso será feito é o divisor de águas. cada qual possue uma ou mais idéias das quais não abriria mão.
assim que, para 'mudar o mundo', uma enorme dose de união de pessoas e de ideologias é essencial. quer dizer que, a democracia, como a conhecemos, tende a acabar... só há mudança coletiva se houver consentimento coletivo e, olhando ao seu redor, isso parece possível?
para mim, a eleição de obama significa um marco histórico em diversos sentidos. em especial, um marco histórico de retrocesso mental. uma lavagem cerebral. não pelo candidato/ pessoa, em si, mas pela maneira como é recebido.
messianismo não é novidade alguma, mas alguns destes messias causaram gigantescas perseguições, milhares de mortes, intolerância religiosa e política, etc, e tudo em nome da 'mudança do mundo', da melhoria da vida... os últimos messias ainda nos dão dor de estômago (napoleão, castro, hitler, etc). e estes o foram em suas localidades. o que esperar de um messias mundial?
enfim, tanta esperança depositada em um messias, tão pouca esperança no Messias...