terça-feira, 16 de dezembro de 2008

futuro

o que será amanhã? aonde estarei? como estarei?
atordoados, ou viramos insones pensando sobre isso, ou somos carregados pelos acontecimentos e, ou acabamos acomodados na situação, ou nem refletimos sobre ela.
esses "ou(s)" são o 'x' de toda a questão. ou estarei aqui, ou estarei lá, ou não estarei em lugar nenhum.
as palavras do Galileu: "não andeis ansiosos"; ou, em um contexto mais específico, "não se turbe o vosso coração", são, várias vezes, bálsamo. conforto. conforto de saber que estou aonde ELE gostaria que eu estivesse, embora por vezes meus planejamentos de futuro tenham sido outros. conforto de que se ELE me trouxe até aqui, me levará, em segurança (ou não) ao destino final.
estar aonde D-S gostaria que eu estivesse não é, diversas vezes, agradável, feliz ou fácil, nem traz a realização ou reconhecimento esperado.
"o futuro a D-S pertence". conforto. hora de dormir...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

compras

dezembro é o mês das compras. parece haver uma necessidade de presentear e ser presenteado. todos os lugares de vendas ficam abarrotados. em são paulo, no rio de janeiro, em natal, em teresina, em chicago, em paris, em londres, etc, todos querem comprar algo para dar ou para ficar.
interessante notar a dinâmica do ato de dar um presente. no processo da compra, além de pensar, obviamente, nos gostos, sonhos e personalidade do presenteado, o presenteador quer deixar também a sua marca, quer dizer, não apenas dar algo, mas algo que faça aquela pessoa se remeter a ele.
assim que, o processo de comprar vai além do conhecimento que temos (ou achamos que temo) de alguém e chega ao conhecimento que temos (ou achamos que temos) de nós mesmos. o presente passa a ser mais do que representação de sentimentos para ser representação de indivíduos. o presente passa a ser um pouco a pessoa que dá e um pouco a pessoa que recebe.
lipovetsky, em 'a felicidade paradoxal' diz que vivemos em uma época em que "as tradições, a religião, a política são menos produtoras de identidade central" e o consumo passa a exercer um papel fundamental no processo de criar identidade individual. por isso comprar é tão importante. por isso cada presente carrega um pouco do que se é.
objetos resumindo pessoas.
no balcão das lojas, estão mais do que roupas, eletrônicos, brinquedos, etc. a camisa não é apenas legal. ela é alternativa. o filme em dvd não apenas emociona, ele traduz uma imagem cult. aquele celular mostra um lado empreendedor. as coisas passam a carregar valores. as coisas passam a carregar imagens. você não compra mais produtos, você compra você.
as lojas deixam de ser mercados de produtos e tranformam-se em mercados de gente.
felizmente, "quem eu sou" é mais profundo do que o que eu tenho. responder demora mais do que uma tarde de compras.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

noites

algo me atrai na noite.
provavelmente o silêncio. trazido pela insônia.
curioso estar desperto enquanto outros dormem.
os não-barulhos são lógicos. os barulhos mais fortes.
não há interrupção. não há palavras.
a luz é articial. a ansiedade é alta. os olhos atentos.
a noite me atrai pela ausência.
ausenta da vida os que dormem.
misantropo, eu sei. é paradoxal.
a solidão faz bem. ordena pensamentos. resolve problemas.
cria problemas. desordena pensamentos.
quando nasce o sol, o dia parece findar.
os barulhos aumentam e se diluem, ilógicos.
a vida volta aos que dormiam.
em mim, sobra a morte do sono que logo passará, quando o dia for mais dia e a noite voltar depois do entardecer.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

amizades

octavio paz falava, em literatura, da teoria da outridade. basicamente significa que você é reconhecido pelos outros e através dos outros experimenta a vida e se "mantém" nela. por exemplo, quando a morte chega, é a memória dos que ficam que perpetua a vida de quem morreu. por isso a frase "diga-me com quem andas e te direis quem és" é, basicamente, uma verdade universal.
seus amigos são testemunhas a seu favor ou contra você. pertubador e, ao mesmo tempo, esclarecedor.
neste sentido, amizades são, vez ou outra, pontuais. ao longo da sua existência surgiram amigos importantes que, em outros momentos, deixaram de existir, não porque sumissem, mas porque por diversos motivos deixaram de ser relevantes na sua vida. ainda os chamamos de 'amigos', mas não compartilham mais do mesmo ponto da sua vida, nem compartilham mais interesses, vontades ou idéias. a vida passa e os amigos também. isso demonstra o caráter volátil das relações humanas. por um lado é pessimista. por outro interessante. depende do lugar para onde ou de onde se olha.