domingo, 17 de agosto de 2008

morte

É a partir da experiência com a morte que o ser humano passa a buscar respostas para as famosas perguntas existenciais: quem sou, da onde venho, pra onde vou. Curiosamente, ninguém ‘vive’ a própria morte. Experimentamos a nossa morte na morte do outro. Isso é chamado de “outridade” (definição de Octavio Paz). No mínimo é irônico. Filosoficamente falando, sua existência é definida pelo seu relacionamento com o outro.
Em Eclesiastes, livro sapiencial da Bíblia, o autor enfatiza, principalmente nos primeiros seis capítulos, que em face da morte tudo é ‘vapor’, tudo é efêmero, tudo é vão. Ser bom ou mau, fazer o bem ou o mal, no fundo, tanto faz. O fim, a morte, é igual a todos. O eco desse pensamento está exatamente mencionado no trecho poético acima: “a morte é uma certeza invencível” (Ferreira Gullar).
Então por quê vivemos? Porque temos esperança em alguma coisa. Sartre dizia que o existencialismo parte do pressuposto de que fomos abandonados a própria sorte e cita Ponge (outro filósofo francês contemporâneo de Sartre) dizendo: “o homem é o futuro do homem”. De certa forma estamos alienados em relação ao futuro. Uma das maiores influências do existencialismo é essa noção de que como fomos abandonados, o futuro não importa e nem o passado. O presente é que deve construir o que somos. Assim se criou uma geração de desesperança e de hedonismo (Dostoyevsky escreveu: “Se Deus não existe, tudo é permitido”).
Não posso provar que D-s existe e nem consigo explicar a esperança que tenho de que Ele irá recriar esta Terra (Apocalipse 21:1-4; Isaías 65:17), mas se a você tem faltado esperança e sobrado desespero, te encorajo a buscar além de você mesmo a resposta, te encorajo a conhecer a D-s e se relacionar com Ele. Paulo disse: “nada pode nos separar do amor de D-s, nem a morte, nem a vida (...)” (Romanos 8:38-39).

Um comentário:

Unknown disse...

não sei sobre sua experiência com a morte, mas parece que escreveu esse texto para mim. Vou tentar resumir o tamanho da dor e agradecer a você, pois mesmo sem saber me ajuda muito!!
Meu pai sempre foi alcoolatra, e quando bebia ficava muito violento, posso dizer que quando alguém fala de família eu tento encaixar a minha "família" em algum padrão, mas acabo não a considerando uma "família", mas sim uma "coisa". Éramos completamente infelizes! morávamos em uma fazenda, longe do mundo, quase me sentia invisível, mas sempre busquei em Deus uma razão pra tanto sofrimento, então surgiam as perguntas: Por quê? por quê eu? o que eu fiz? então o tempo passou, me casei, conheci Jesus, me batizei e hoje sou Adventista, mas no ano passado em outubro meu pai foi assassinado brutalmente. Me sinto culpada por não ter tentado mais, mas a ferida ainda é tão grande que não sei se conseguiria falar de amor com meu pai e tentar muda-lo. Sempre achei que com a morte também morriam as tristezas, mas....Tento com todas as minhas forças me convencer de que o seu fim(meu pai) foi consequencia de suas escolhas, seu modo de vida, e somente ele poderia ter mudado.
Djenane
Afonso Cláudio-ES